AC/DC oferece rock and roll puro e sem truques durante show em São Paulo

A Performance de AC/DC no Morumbis

O renomado grupo australiano de rock AC/DC trouxe uma experiência musical eletrizante para São Paulo em seu primeiro show no estádio Morumbis, que ocorreu no dia 24 de fevereiro de 2026. Este evento não só marcava o retorno da banda ao Brasil após muitos anos, mas também ofereceu aos fãs uma oportunidade de testemunhar a energia crua e sem artifícios que a banda sempre apresentou. Mesmo com a idade avançada dos integrantes, a performance foi um verdadeiro deleite, repleta de hits clássicos e uma entrega vigorosa.

Os Desafios Enfrentados pela Banda

A trajetória do AC/DC tem sido marcada por desafios significativos ao longo dos anos. A banda enfrentou momentos críticos, como a perda do guitarrista Malcolm Young, que faleceu em 2017 após uma batalha contra doenças relacionadas à demência. Além disso, outros integrantes também passaram por períodos difíceis, como o vocalista Brian Johnson, que teve que se afastar por problemas auditivos, e o baterista Phil Rudd, que se viu em apuros por problemas legais. Apesar desses obstáculos, Angus Young, o icônico guitarrista, permaneceu firme para manter a banda ativa e unida.

A Contribuição de The Pretty Reckless

Antes do AC/DC assumir o palco, a banda americana The Pretty Reckless, liderada pela carismática Taylor Momsen, teve a missão de aquecer o público. Com uma apresentação de 55 minutos, eles introduziram seu som característico, que mistura elementos de hard rock e influências alternativas, embora tenha ficado evidente que muitos na platéia não estavam familiarizados com seu repertório. O show incluiu hits como “Death by Rock and Roll” e o famoso “Make Me Wanna Die”, que apresentou um vislumbre da força e presença de palco de Momsen.

AC/DC

Os Destaques do Setlist

O setlist do AC/DC foi uma viagem nostálgica, apresentando uma seleção equilibrada de sucessos das diferentes fases da banda. Com um total de 21 músicas, os fãs puderam curtir clássicos como “Back in Black”, “Highway to Hell” e “T.N.T.”. A escolha de músicas do álbum de 2020, “Power Up”, também foi um ponto alto, embora as novas faixas tenham recebido uma recepção mais comedida em comparação com os grandes sucessos. A performance se destacou pela sua agilidade, onde a banda evitou diálogos prolongados, mantendo o foco na música e na conexão com o público.

A Vibração Única de Brian Johnson

Brian Johnson, mesmo com seus 78 anos, demonstrou um entusiasmo contagiante, interagindo com a multidão e passando uma aura de empolgação e alegria. Sua interpretação carismática das letras, que muitas vezes evocavam o espírito rebelde do rock, fez com que os fãs se sentissem parte do show. A entrega emocional de Johnson, que brincou com a plateia e expressou seu amor pela música, foi fundamental para o sucesso da noite.



O Carisma de Angus Young

Angus Young, figura central da banda, não se deixou intimidar pelo passar dos anos e manteve sua identidade visual característica, com o uniforme escolar sempre presente, o que adicionou um charme ao espetáculo. Sua habilidade com a guitarra é inegável, mesmo quando pequenas falhas ocorreram durante as apresentações, nenhum fã se importou. A paixão e energia que ele trouxe para o palco, especialmente durante os solos, foram elementos que elevaram a performance a grandes alturas.

A Recepção do Público

A reação do público foi fervorosa, com a plateia vibrando a cada canção executada. A química entre a banda e os fãs foi palpável, mostrando que, apesar dos anos, o AC/DC ainda tem a capacidade de criar uma conexão intensa com os admiradores. Por mais que algumas canções mais recentes não tenham sido muito reconhecidas, os clássicos garantiram a interação e participação do público, que cantou junto do início ao fim do show.

Comparações com Outras Lendas do Rock

Em um cenário onde outros ícones do rock, como os Rolling Stones, também se apresentam mesmo com a idade avançada, a performance do AC/DC foi um lembrete do poder duradouro do rock n’ roll. Comparações entre as duas bandas são inevitáveis, especialmente quando se considera a resistência deles ao tempo e à capacidade de dar shows memoráveis, apesar das adversidades que enfrentaram ao longo dos anos. Enquanto os Rolling Stones têm adicionado novos músicos à sua formação, o AC/DC conseguiu resgatar antigos membros e, ao mesmo tempo, integrar novos talentos mantendo sua essência.

Os Efeitos Visuais do Show

Embora o foco principal do show tenha sido a música, os efeitos visuais também desempenharam um papel. A pirotecnia e as luzes vibrantes durante momentos oportunos, como em “Hells Bells”, criaram um clima emocionante, elevando a experiência geral. Contudo, alguns detalhes, como a ausência da famosa Rosie inflável no palco e a simplicidade em algumas apresentações visuais, trouxeram questionamentos sobre a evolução da proposta estética do AC/DC em comparação a turnês passadas. Apesar disso, a conexão sonora prevaleceu, mantendo o foco na experiência auditiva.

O Futuro do AC/DC

À medida que o AC/DC continua sua jornada musical, há um sentimento entre os fãs de que cada show pode ser um dos últimos. Os desafios enfrentados ao longo dos anos e a recente tour “Power Up” levantam questionamentos sobre o que está por vir. Embora Angus seja determinado e tenha demonstrado a capacidade de persistir, a ausência de membros fundamentais da formação original poderá influenciar as futuras apresentações e lançamentos. Para muitos, a última apresentação da banda pode ser mais do que um show; pode ser um capítulo final da história de um dos maiores nomes do rock mundial.



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